A possibilidade de o caso envolvendo o Banco Master ganhar contornos insustentáveis e alcançar diretamente o ministro Alexandre de Moraes reacendeu uma velha pergunta no cenário político brasileiro: o sistema estaria disposto a investigar e responsabilizar um de seus pilares ou, mais uma vez, optaria por um rearranjo que preserve o próprio poder?
O debate, no entanto, vai além do nome de Moraes. Ele revela uma engrenagem conhecida, na qual crises institucionais são absorvidas, neutralizadas ou transformadas em acordos silenciosos — quase sempre longe do interesse público.
Moraes: causa ou sintoma?
Para analistas políticos, Alexandre de Moraes não representa a origem do problema, mas sim o sintoma de uma República fragilizada. Um Supremo Tribunal Federal com poderes ampliados, poucos freios efetivos e crescente protagonismo político passou a ocupar espaços deixados por um Congresso inerte — especialmente um Senado que, constitucionalmente, deveria exercer o papel de fiscalização e contenção.
Nesse vácuo, ministros tornam-se figuras centrais do jogo político, enquanto decisões judiciais passam a interferir diretamente no debate público, nas eleições e no comportamento da sociedade.
Polarização conveniente
O caso também evidencia como a polarização entre bolsonarismo e petismo, apesar do discurso agressivo, acaba servindo ao mesmo sistema que ambos dizem combater. De um lado, setores ligados ao bolsonarismo utilizam Moraes como símbolo máximo do “inimigo”, transformando qualquer crise em combustível eleitoral. Do outro, o petismo fecha fileiras em defesa das instituições, mesmo quando elas demonstram claros sinais de excesso e autoproteção.
O resultado é previsível: discursos inflamados, narrativas opostas e nenhuma mudança estrutural. Enquanto as torcidas brigam, o sistema se reorganiza.
Impeachment, investigação ou acordo?
A pergunta central, portanto, permanece incômoda: o sistema sacrificaria Alexandre de Moraes para se preservar ou o protegeria como parte essencial de sua engrenagem? A experiência brasileira sugere que a segunda hipótese é a mais provável.
O povo fora do jogo
Enquanto isso, o povo brasileiro assiste a mais um capítulo de crise institucional sem participação real, sem voz efetiva e, ao fim, sem ganhos concretos. A polarização garante engajamento, cliques e votos, mas não entrega reformas, transparência ou limites claros entre os Poderes.
Mais uma vez, a disputa não é entre direita e esquerda, mas entre um sistema que se protege e uma sociedade que permanece à margem das decisões que moldam seu futuro.
Se nada mudar, o desfecho já é conhecido: o sistema segue em pé, os polos políticos se fortalecem em discurso, e o povo — como tantas outras vezes — termina derrotado.


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